|
O
chef Luiz Incao também cita o
Pennete com Ostras ao Molho de
Trufas Negras e, entre as
entradas, a Torta De Queijo Brie
recheada com damasco,
acompanhada com saladas de mini
alface da estação, ao molho
vinagre de ervas. Para a
sobremesa, o chef sugere o
Carpaccio de Banana e o Figo
Fresco Flambado com Wisky,
temperado com pimenta do reino
verde.
A
segunda fase da reforma terá
início em 2010 e prevê
investimentos de R$ 2,5 milhões
a R$ 3 milhões. Com a
aprovação do Instituto
Estadual do Patrimônio Cultural
(Inepac) o projeto, sob a
supervisão da especialista
Sandra Branco, vai restaurar a
fachada histórica - as
varandas, portas e janelas – e
recuperar a cúpula da torre.
Para a praça ao lado, que se
estende por todo o entorno do
restaurante, o arquiteto
paisagista Haruchita Ono,
titular do escritório Burle
Marx, projetou jardins entre as
árvores existentes, banquinhos
e fonte. Fruto de uma parceria
público-privada, a
revitalização vai tornar
agradável o espaço no entorno
do imóvel e valorizar e
integrar a área onde começa o
Cais do Porto.
No
térreo, em ambiente charmoso
voltado para a Baía da
Guanabara, foi projetado,
também por Chicô Gouvêa, o
Café Bar Albamar, que
funcionará da manhã à noite e
promete ser um ponto de encontro
para as novas gerações. O
serviço começará com café da
manhã e, no fim da tarde, se
torna um Bar de Ostras.Todas as
etapas passaram pelo crivo do
Inepac. “Estamos renovando a
tradição do Albamar”, resume
o sócio Paulo Corrêa, para
quem a reforma brindará os
clientes com mais conforto e
melhores instalações, dentro
da tradição que sempre
caracterizou o restaurante.
História
Um
lugar de muitos casos
Na
primeira metade do século XIX,
o arquiteto francês Grandjean
de Montigny projetou ali um
mercado para disciplinar o
comércio de gêneros
alimentícios no Rio de Janeiro,
sobretudo de peixes. A obra foi
ampliada e inaugurada, em 1908,
pelo prefeito Pereira Passos,
com uma planta quadrada que
tinha nas extremidades quatro
torreões octagonais, de
estrutura metálica importada da
Antuérpia, na Bélgica. O
estilo era marcado pelas
estruturas metálicas que
predominaram em mercados e
grandes projetos do início do
século XX.
Em
um desses torreões, o
empresário Rodolfo Souza Dantas
inaugurou, no ano de 1933, o
Restaurante Albamar, frequentado
pela fina flor da sociedade.
O
pavilhão onde funciona o
restaurante foi tombado pela
União em 1962 e, neste mesmo
ano, o mercado
demolido.Transferido dois anos
depois para o antigo Estado da
Guanabara, a casa passou a ser
controlada pelos empregados. O
apogeu aconteceu na década de
70, quando o restaurante voltou
a atrair políticos, diplomatas
e formadores de opinião. Com o
esvaziamento econômico do Rio
de Janeiro nas décadas de 80 e
90, entretanto, teve início a
decadência. Acuados pelo
ambiente ermo do entorno e sem
recursos para ao menos fazer a
manutenção do imóvel, os
poucos dos 11 componentes da
sociedade original decidiram
passar o negócio adiante. Mas
foi só em janeiro de 2009 que o
empresário Paulo Correa e o
chef Luiz Incao, recém saído
do Copacabana Palace, venceram a
licitação para ocupar o local,
adquiriram as cotas dos antigos
sócios, convidaram alguns
antigos empregados para
permanecer e deram início ao
resgate do requinte e história
do Albamar.
Um
dos mais antigos funcionários
do Albamar, o espanhol Manuel
Gil Gonzalez, o Manolo, 77 anos,
entrou na casa onde trabalhou
por 58 anos como ajudante de
garçon, em 1951. Desde então,
servir políticos e celebridades
internacionais tornou-se uma
rotina em sua vida. Só
Alexander Fleming, descobridor
da penicilina, esteve duas vezes
no restaurante. Outros destaques
foram o ator grego Anthony Quinn,
Madame Chiang Kai-Shek (Soong
May-ling) e ele prefere citar os
presidentes que não
frequentaram: Getúlio Vargas e
Eurico Gaspar Dutra. “João
Goulart veio quando era Ministro
do Trabalho com Teresa, sua
mulher. Era linda”, lembra. O
ex governador Carlos Lacerda e o
advogado Sobral Pinto eram
assíduos. “Os políticos do
Senado eda Câmara brigavam na
Praça Tiradentes e quando se
sentavam à mesa eram só
mesuras, vossa excelência para
lá e para cá”, diverte-se
Manolo, saudoso dos tempos em
que os clientes degustavam dois
pratos e puxavam a cadeira para
acomodar as damas.
Outro
espanhol, José Souza Novua, 66
anos, mais conhecido como Pepe,
entrou para o Albamar em 1963,
também como ajudante de garçon.
Com seu trabalho criou três
filhos que já lhe deram três
netos e hoje é um dos gentis
funcionários que atendem à
clientela do restaurante. Em
todos esses anos, entre muitos
políticos, serviu o presidente
Juscelino Kubitscheck, “muito
simpático e assíduo”,
recorda-se. “Muitas vezes ele
vinha ao restaurante com o
jornalista Samuel Weiner e o
acadêmico Austregésilo de
Athayde”, completa. Outro que
batia ponto na casa era o
ex-ministro Mário Andreazza.
“Ele gostava de se sentar na
terceira mesa da janela para
fiscalizar as obras da Ponte
Rio-Niterói. Sua preferência
era o linguado grelhado”,
aponta. Outro assíduo na casa
era o ex-governador Leonel
Brizola, que sempre escolhia
pratos à base de camarão.
Entre os artistas,Paulo Gracindo
era freqüentador, além dos
casais Edson Celulari e Cláudia
Raia, Julia Lemmertz e Alexandre
Borges.
Manoel
Costa Alonso é outro espanhol
que faz parte da história do
Albamar. Conhecido como ‘Costa’,
entrou na casa – ele se lembra
até o dia – em 28 de setembro
de 1966, como garçon. Serviu
aos ex-presidentes Juscelino
Kubitschek e Castelo Branco,
além de ministros como Jarbas
Passarinho. “Seu prato
predileto era Peixe à Moda da
Casa” recorda. Como o Albamar
sempre foi um romântico ponto
de encontro, fazem parte de suas
lembranças casos de traição
conjugal. “Quando uma cliente
que estava almoçando com o
amante levantou-se para ir ao
banheiro, na volta viu que o
cunhado estava sentado na mesa
ao lado e simplesmente
desapareceu”, diverte-se. Uma
revista também flagrou um casal
e acabou tornando publico o caso
clandestino. Costa passou a ser
cotista do Albamar em 1993 e
hoje está feliz em acompanhar o
resgate da casa, aos 75 anos,
como maitre. “É um bom
ambiente e relacionamento de
trabalho para receber a
clientela que está voltando”,
comemora.
Mediação
Imprensa e Comunicação - 55 21
2553-3353 - Celina Côrtes
/ Paula Guatimosim - mediacao@mediacao.jor.br |