Fevereiro´ 2010

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A volta do Albamar em grande estilo

Primeira fase

Restaurante renovado

O novo Restaurante Albamar abriu suas portas no fim de novembro de 2009.

 A retomada da tradicional casa, que acaba de completar 76 anos, começou em janeiro de 2009, quando os sócios Paulo Corrêa e Luiz Incao (ex - Copacabana Palace) ganharam a licitação promovida pelo proprietário do imóvel, a Rio Previdência, e adquiriram as cotas dos antigos empregados. Desde então, foram reformados o primeiro andar, onde passará a funcionar o Espaço Albamar, um salão de eventos, e o segundo, do restaurante, que ganha bar, novo mobiliário e decoração, cozinha moderna e funcional. 

O cardápio sem sotaques, que nem por isso deixa de incluir pratos franceses, portugueses, italianos e regionais, está de volta em grande estilo, com 66 itens, mantendo a tradição da casa: os frutos do mar. As obras para a renovação interna, assinadas pelo arquiteto Chicô Gouvêa, começaram em junho e foram concluídas no fim de novembro. Esta primeira fase representou investimentos de R$ 1 milhão. O restaurante, que originalmente funcionava no segundo piso, passou a atender a clientela provisoriamente no primeiro piso, o primeiro a ser reformado. É lá que passou a funcionar o Espaço Albamar, um salão de eventos multiuso climatizado, com 120 lugares sentados e 200 em pé, cozinha própria apta a atender comemorações personalizadas.

Um grande painel que reproduz a Ilha Fiscal – um dos destaques da paisagem exterior, em meio à Baía de Guanabara e ao perfil da Serra do Mar - foi fixado numa das paredes.

A maratona de eventos já agendados por empresas e entidades começou com a palestra do Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

O restaurante, com 102 lugares, foi reinaugurado em fins de novembro de 2009 e assumiu o segundo andar totalmente remodelado, sem perder as características originais. As mudanças incluem novo mobiliário, assim como toalhas, louças e cristais; novo cardápio, carta de vinhos e de coquetéis; além de réplicas de luminárias de um dos salões do Grand Palais, em Paris. As paredes têm o mesmo tom de verde escuro da fachada, com detalhes em vermelho. Um grande balcão de madeira e metal, releitura dos restaurantes do Centro no início do século, vai facilitar o trabalho dos garçons, que poderão usá-lo para pousar e recolher os novos pratos. Outra

novidade é o bar, também em madeira e aço e espelho revestindo a parede.Tudo isso realçado pela iluminação de Peter Gasper. O Albamar oferece o confortável diferencial de vagas na porta e gratuitas à clientela.

Cozinha com novas instalações e cardápio

Segunda fase

   Oyster Bar

Na cozinha de última geração são preparadas especialidades como os Tentáculos de Polvo do Cais, feito com polvo graúdo grelhado com leve sabor de alho e flor de sal, acompanhado de arroz de brócolis e uma porção de legumes. 

Outro destaque é o Filé de Cherne, um dos pratos mais pedidos do cardápio tradicional, com molho de camarão, champignon, purê de batatas e juliana de trufas negras. 

O chef Luiz Incao também cita o Pennete com Ostras ao Molho de Trufas Negras e, entre as entradas, a Torta De Queijo Brie recheada com damasco, acompanhada com saladas de mini alface da estação, ao molho vinagre de ervas. Para a sobremesa, o chef sugere o Carpaccio de Banana e o Figo Fresco Flambado com Wisky, temperado com pimenta do reino verde.

A segunda fase da reforma terá início em 2010 e prevê investimentos de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões. Com a aprovação do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) o projeto, sob a supervisão da especialista Sandra Branco, vai restaurar a fachada histórica - as varandas, portas e janelas – e recuperar a cúpula da torre. Para a praça ao lado, que se estende por todo o entorno do restaurante, o arquiteto paisagista Haruchita Ono, titular do escritório Burle Marx, projetou jardins entre as árvores existentes, banquinhos e fonte. Fruto de uma parceria público-privada, a revitalização vai tornar agradável o espaço no entorno do imóvel e valorizar e integrar a área onde começa o Cais do Porto.

No térreo, em ambiente charmoso voltado para a Baía da Guanabara, foi projetado, também por Chicô Gouvêa, o Café Bar Albamar, que funcionará da manhã à noite e promete ser um ponto de encontro para as novas gerações. O serviço começará com café da manhã e, no fim da tarde, se torna um Bar de Ostras.Todas as etapas passaram pelo crivo do Inepac. “Estamos renovando a tradição do Albamar”, resume o sócio Paulo Corrêa, para quem a reforma brindará os clientes com mais conforto e melhores instalações, dentro da tradição que sempre caracterizou o restaurante.

 

História

Um lugar de muitos casos

Na primeira metade do século XIX, o arquiteto francês Grandjean de Montigny projetou ali um mercado para disciplinar o comércio de gêneros alimentícios no Rio de Janeiro, sobretudo de peixes. A obra foi ampliada e inaugurada, em 1908, pelo prefeito Pereira Passos, com uma planta quadrada que tinha nas extremidades quatro torreões octagonais, de estrutura metálica importada da Antuérpia, na Bélgica. O estilo era marcado pelas estruturas metálicas que predominaram em mercados e grandes projetos do início do século XX.

Em um desses torreões, o empresário Rodolfo Souza Dantas inaugurou, no ano de 1933, o Restaurante Albamar, frequentado pela fina flor da sociedade.

O pavilhão onde funciona o restaurante foi tombado pela União em 1962 e, neste mesmo ano, o mercado demolido.Transferido dois anos depois para o antigo Estado da Guanabara, a casa passou a ser controlada pelos empregados. O apogeu aconteceu na década de 70, quando o restaurante voltou a atrair políticos, diplomatas e formadores de opinião. Com o esvaziamento econômico do Rio de Janeiro nas décadas de 80 e 90, entretanto, teve início a decadência. Acuados pelo ambiente ermo do entorno e sem recursos para ao menos fazer a manutenção do imóvel, os poucos dos 11 componentes da sociedade original decidiram passar o negócio adiante. Mas foi só em janeiro de 2009 que o empresário Paulo Correa e o chef Luiz Incao, recém saído do Copacabana Palace, venceram a licitação para ocupar o local, adquiriram as cotas dos antigos sócios, convidaram alguns antigos empregados para permanecer e deram início ao resgate do requinte e história do Albamar.

Um dos mais antigos funcionários do Albamar, o espanhol Manuel Gil Gonzalez, o Manolo, 77 anos, entrou na casa onde trabalhou por 58 anos como ajudante de garçon, em 1951. Desde então, servir políticos e celebridades internacionais tornou-se uma rotina em sua vida. Só Alexander Fleming, descobridor da penicilina, esteve duas vezes no restaurante. Outros destaques foram o ator grego Anthony Quinn, Madame Chiang Kai-Shek (Soong May-ling) e ele prefere citar os presidentes que não frequentaram: Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra. “João Goulart veio quando era Ministro do Trabalho com Teresa, sua mulher. Era linda”, lembra. O ex governador Carlos Lacerda e o advogado Sobral Pinto eram assíduos. “Os políticos do Senado eda Câmara brigavam na Praça Tiradentes e quando se sentavam à mesa eram só mesuras, vossa excelência para lá e para cá”, diverte-se Manolo, saudoso dos tempos em que os clientes degustavam dois pratos e puxavam a cadeira para acomodar as damas.

Outro espanhol, José Souza Novua, 66 anos, mais conhecido como Pepe, entrou para o Albamar em 1963, também como ajudante de garçon. Com seu trabalho criou três filhos que já lhe deram três netos e hoje é um dos gentis funcionários que atendem à clientela do restaurante. Em todos esses anos, entre muitos políticos, serviu o presidente Juscelino Kubitscheck, “muito simpático e assíduo”, recorda-se. “Muitas vezes ele vinha ao restaurante com o jornalista Samuel Weiner e o acadêmico Austregésilo de Athayde”, completa. Outro que batia ponto na casa era o ex-ministro Mário Andreazza. “Ele gostava de se sentar na terceira mesa da janela para fiscalizar as obras da Ponte Rio-Niterói. Sua preferência era o linguado grelhado”, aponta. Outro assíduo na casa era o ex-governador Leonel Brizola, que sempre escolhia pratos à base de camarão. Entre os artistas,Paulo Gracindo era freqüentador, além dos casais Edson Celulari e Cláudia Raia, Julia Lemmertz e Alexandre Borges.

Manoel Costa Alonso é outro espanhol que faz parte da história do Albamar. Conhecido como ‘Costa’, entrou na casa – ele se lembra até o dia – em 28 de setembro de 1966, como garçon. Serviu aos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e Castelo Branco, além de ministros como Jarbas Passarinho. “Seu prato predileto era Peixe à Moda da Casa” recorda. Como o Albamar sempre foi um romântico ponto de encontro, fazem parte de suas lembranças casos de traição conjugal. “Quando uma cliente que estava almoçando com o amante levantou-se para ir ao banheiro, na volta viu que o cunhado estava sentado na mesa ao lado e simplesmente desapareceu”, diverte-se. Uma revista também flagrou um casal e acabou tornando publico o caso clandestino. Costa passou a ser cotista do Albamar em 1993 e hoje está feliz em acompanhar o resgate da casa, aos 75 anos, como maitre. “É um bom ambiente e relacionamento de trabalho para receber a clientela que está voltando”, comemora.

 

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